A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um inquérito para apurar um caso inusitado, porém sério, ocorrido na Câmara Municipal de Santa Rita do Sapucaí (MG). Um vereador confessou publicamente ter adicionado laxante à água consumida por outro parlamentar durante uma sessão legislativa.
Segundo a Polícia, a investigação vai apurar possível crime previsto no artigo 132 do Código Penal Brasileiro — exposição da vida ou da saúde de outra pessoa a perigo direto e iminente. Esse dispositivo legal se aplica mesmo quando não há lesão física, desde que o risco envolvido seja real e imediato, como no caso de uma substância desconhecida sendo oferecida para consumo. A pena para esse tipo de crime pode variar de três meses a um ano de detenção, podendo ser ampliada caso se configure uma infração mais grave.
Um dos vereadores que ingeriu a água contaminada já prestou depoimento. Os demais envolvidos, incluindo o autor da ação, serão ouvidos nos próximos dias. A amostra da água foi entregue à delegacia nesta segunda-feira (26) e será encaminhada para análise pericial, que deve confirmar qual substância foi colocada no recipiente.
Confissão nas redes sociais
A polêmica ganhou ainda mais repercussão após o próprio autor da ação, o vereador Carlos Roberto Dias (União Brasil), conhecido como "Gato", publicar um vídeo nas redes sociais admitindo o ato. No registro de quase cinco minutos, ele conta que colocou a substância com a intenção de tirar o colega Benedito Raimundo Ribeiro (PL), o "Dito", da sessão.
“Eu queria tirar esse rapaz da reunião, parar de me encher o saco. Pinguei um pouco de laxante na água dele, pra ver se dava uma dor de barriga e ele saía um pouco da reunião", afirmou Carlos no vídeo. Em seguida, declarou que se tratava de uma "brincadeira" e pediu desculpas. “Não fiz por maldade, foi uma brincadeira com você. Peço desculpas pelo que fiz.”
O vereador ainda relatou no vídeo que tem desentendimentos antigos com Benedito e sugeriu que o colega também lhe peça desculpas.
Repercussão
O caso causou forte repercussão na cidade e provocou reações nas redes sociais e entre os moradores. A presidência da Câmara ainda não se manifestou oficialmente sobre possíveis sanções administrativas ou éticas ao parlamentar.
A Polícia Civil segue com a apuração para esclarecer todos os detalhes do caso e avaliar as responsabilidades legais dos envolvidos.

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